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terça-feira, 14 de junho de 2011

tua boca




tua boca faz tanto
e mais um pouco
muda a minha cor
me deixa rouco

gosto do teu gosto
do seu cheiro língua
do teu ver bo sol to

a cada ah
a cada beijo
queixo músculos beiço

a cada gesto
a cada jeito
gemo tremo
e gozo mais um pouco



Silvio Prado

domingo, 20 de abril de 2008

recomeço


sigo a fumaça insolente de um cigarro que a muito apagou
vejo a minha alma fundir-se ao breu
o mesmo breu que engole lentamente
pequenas massas a minha volta

ao longe a terra suga pouco a pouco para sua intimidade
os atentos postes que insiste em expor
o mar que banha os meus olhos
vago em passos marcados na direção oposta há qual um dia segui

sou possuído por uma paz forjada
meu corpo transforma-se em noite:
meu caminho...seu infinito...meus passos...seus ruídos...
minha voz...seu silêncio...minhas lagrimas...seu orvalho...

casas com portas fechadas e janelas semi-abertas
“como um cachorro otário a correr atrás dos carros”
sigo cigarros acessos em esquinas esquecidas
meu corpo amanhecendo na cidade rio

os muros desmoronam em quintais estranhos
capas naturais cobrem os carros artificiais
a vida inerte nas frases já ditas em muros
lua... sol... tudo se transforma em uno...




Silvio Prado