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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Um caso de poesia...



*imagem daqui


Paulo tinha fama de mentiroso.

Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragões da independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas.

A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito queijo, e ele provou e tinha gosto a queijo. Desta vez Paulo não só ficou sem sobremesa como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias.

Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da Terra passaram pela chácara de Siá Elpídia e queriam formar um tapete voador para transportá -lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico.

Após o exame, o Dr. Epaminondas abanou a cabeça:

– Nada a fazer, Dona Coló. Este menino é mesmo um caso de poesia.




(Andrade, 1997: 26)




Referência Bibliográfica:
ANDRADE, Carlos Drummond de (1997), Histórias para o Rei, Rio de Janeiro: Distribuidora Record de Serviços de Imprensa S.A. 155 

terça-feira, 8 de novembro de 2011

universo imaginário


*imagem SilvioPrado


olhos fechados
centro de um
uni verso imaginário

sem fim, meio
ou começo de um
uni verso imaginário

com ser, sido
ou sem ter sido um
uni verso imaginário


Silvio Prado

os passos de um bêbado


*imagem SilvioPrado



entr ego o com ando
dos meus pas sos co ordenados
ao caos desnível
de uma rua obs cura

o mundo com anda
os meus passos passos pass pas..


Silvio Prado

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

...



...agora espinho
no pescoço
caroço
na espinha

quem diria
pupila dilatada
sexo
na cozinha

ausência?
teu ponto
final foi
minha reticência...


domingo, 19 de junho de 2011

azuis do céu


OlhO o azul c alado e in finito do céu
suas nuvens inund ando os m eus OlhOs
a minha mente/corpo, os meus OlhOs sem cor...

OlhO um an jo afogando-se em uma flor
e na flor reconheço-te e silencio... e OlhO:
o teu corpo/alma, os t eus OlhOs de céu.


Silvio Prado

aparaqueda





quinta-feira, 9 de junho de 2011

fome (sou da floresta)




sou da floresta


..Sou da floresta
Sou da senzala
Como feijoada
Caço de arco e flecha

Jogo peteca
Bebo cachaça
Sou da floresta
De cimento e pedra

Sou da favela
Sou da fazenda
Joga na várzea
Como de garfo e faca

Sou da floresta
Sou da senzala
Como feijoada
Caço de arco e flecha

Leio Suassunda
Assisto novela
Sou da floresta
Moro na rua..

Jogo pelada
Escrevo poesia
Sou da floresta
dos campos gerais

Sou da floresta
Sou da senzala
Como feijoada
Caço de arco e flecha

Sou da caatinga
Suo na c idade
Jogo com a vida
Como nas escadas
  
Tenho casa, carro
Mesa farta
Dinheiro não falta
Pra eu me socializar

Sou da floresta
Sou da senzala
Como feijoada
Caço de arco e flecha

Sou sem casa
Sou da casa da praia
Jogo no xadrez
Uso terno e gravata
                                                  
Discriminado, reprimido
Glorificado
Sou da floresta
ama zônica

Sou da floresta
Sou da senzala
Como feijoada
Caço de arco e flecha..





Silvio prado

domingo, 29 de maio de 2011

um poema profundo

 oo
     o
       oo
     o
   o     o      o           oo
   o     o      o           oo
   o     o      o           o
   o             o           o
   o             o           o
   o             o           oo
   o             o           o
   o             o           o
   o             o           o
   o             o           o
   o             o           o
   o             o           o
   o             o           o
   o             o           oo
   o             o     o    o
   o             o     o    o
   o             o     o    o
   o             o     o    oo
   o             o     o    o
   o             o           o
   o             o           o
   o             o           oo
   o             o           o
   o             o           o
   o             o           o
   o             o           o
   o             o           o
   o             o           o
   o             o           o
poema pro fundo

o         o
oo        o
o        oo
o          o
Silvio Prado

a pá lavra

  
  |a
 |
    |p
   |á
 __|__
|             |
|            |
L   a v r a


p a l a v r a p a l a v r a p a l a v r a
p a l a v r a p a l a v r a p a l a v r a
p a l a v r a p a l a v r a p a l a v r a
p a l a v r a p a l a v r a p a l a v r a
p a l a v r a p a l a v r a p a l a v r a
p a l a v r a p a l a v r a p a l a v r a



Silvio Prado

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

rei


* fotografia Silvio Prado


para não dizerem que sou
o príncipe do absurdo
transformo-me em árvore
dentro do fruto

ejaculo sêmem, semente
na boca de tudo
transformo-me em rei
e como o fruto



Silvio Prado



quarta-feira, 5 de maio de 2010

a poesia

*FOTOGRAFIA SILVIO PRADO



a poesia como o dia
posou em minha cabeça
imensa espessa
quase a deriva

tarde do dia a poesia
v o o u de minha cabeça
pequena curta
quase peruca





Silvio Prado

sábado, 24 de abril de 2010

TeMpOeSiA





PS: Cito aqui a poesia visual, "TEMPOESIA" de AL CHAER , que prova que, usando as palavras do próprio, “nós autores muitas vezes trilhamos os mesmos caminhos de saída, com chegadas distintas, mas dentro da mesma linha e com uma mesma solução temática, com poucas diferenças nas soluções estéticas.”

AL CHAER, um imenso abraço de admiração.


Silvio Prado

sexta-feira, 16 de abril de 2010

segunda-feira, 5 de abril de 2010

poesia inacabada


*google imagens


homem passa-me o resto do vinho de ontem
musico toque algum blues desconhecido
algum que preencha o vazio deste salão
como a festa que acabou
como as palavras repetidas
como a lembrança que ficou

musico toque algum blues esquecido
homem passa-me a chepa acesa
quero dançar sozinho
como o copo sem o vinho
como as palavras não ditas
como a poesia inacabada


Silvio Prado

sábado, 13 de março de 2010

poema (5uinto elemento)


vivia, passava por mim, sorria...
eu passava por ela, sentia...
calor, amor!.. Como seria?
passasse, parasse, amasse...

que bom seria... eu queria...
...apenas titulo de poesia...
quem sabe nome próprio,
um poema escrito à revelia...





*Poema Coletivo - 5uinto elemento